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O começo de 2018 na confiança — e os defensivos que sumiram do mapa

Episódio

O extremo

Quem leu março de 2018 pelos termômetros de humor não viu nada acontecer. Os dois índices apenas se recompunham do susto de fevereiro e, pela primeira vez desde dezembro, apontavam para a mesma direção. O sinal de verdade estava enterrado um andar abaixo, na hierarquia entre setores — onde a defesa foi abandonada de uma vez. Em números: a força relativa das Utilities contra o IBOV despencou de z −0,24 para −1,44 em quatro semanas, um recuo de mais de um desvio-padrão num único mês. O índice de risco perene voltava a 32,1 e o Ânima a 56,0, ambos mornos, ambos neutros.

O que aconteceu depois

Três meses depois, em junho, o capital fez o oposto do humor: o risco perene explodiu de 14,6 para 93,6 enquanto o Ânima mal saía do chão, de 11,2 para 13,2. O dinheiro voltou; a confiança ficou para trás. Em setembro, o humor finalmente reconheceu o apetite — o Ânima saltou de 11,5 para 54,6 e os cíclicos retomaram o comando (Cíclico/Não-Cíclico de z 0,08 para 1,15). E um ano depois, em março de 2019, a bolsa voltou a se assustar sozinha: o risco perene desabou de 51,4 para 25,6, enquanto o cruzamento entre classes mal se mexeu, de 49,88 para 45,84.

O que não aconteceu

A saída dos defensivos não virou tendência. O alerta de março — se a força das Utilities seguisse abaixo de −1,4, o ajuste viraria fuga — não se confirmou: um ano depois, as concessionárias tinham reconquistado o prêmio defensivo, com z de volta a +1,74. A calma também não durou. A reconciliação dos dois termômetros, que parecia o assunto de março, sobreviveu poucas semanas — já em junho fluxo e humor se separariam com franqueza.

Veredito honesto

O movimento mais marcante de março não foi o que mais durou. A queda dos defensivos chamou atenção e depois se desfez; a divergência entre fluxo e humor, que março mal insinuava, é que governaria o ano. O maior desvio de um mês raramente é a sua maior herança.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

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