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O choque de maio de 2017 — o risco desabou de 49 a 7, e o humor escolheu respirar

Episódio

O extremo

Algo se partiu por baixo do mercado, e não foi o preço. Foi a aposta que vinha sustentando o ano. Os cíclicos e os bancos — as duas faces da tese de que o ciclo doméstico corria firme — devolveram em bloco o prêmio absurdo que o mercado vinha pagando, e a estrutura de risco cruzou para o recolhimento. E então o paradoxo: justamente nesse mês, o humor das pessoas, no fundo do poço havia meses, finalmente respirou. Em números: o índice de risco perene caiu de 49,4 a 7,5, cruzando para risk_off; a razão Cíclico/Não-Cíclico, esticada a 2,43 desvios — o tipo de extremo que raramente se sustenta —, recuou a 0,80; o intermercado cedeu de 76,87 a 64,68; e o Índice Ânima subiu de 23,0 a 34,6. A Selic fechou a 11,25%, o dólar a R$ 3,2095.

O que aconteceu depois

A normalização não enterrou a aposta — apenas a deslocou. Três meses depois, em agosto/2017, o prêmio cíclico voltou a esticar (2,19 para 2,56), e o capital migrou de bairro dentro da própria bolsa: o IFIX/IBOV despencou de -0,54 a -2,16, e o risco perene, longe do fundo, saltou de 57,1 a 77,1. Em novembro/2017, nova troca de comando: as financeiras saíram da mesa (Finanças/IBOV de -0,17 a -1,87) e as commodities retomaram a dianteira, com o Ânima cravado em 69,2, otimismo imóvel. Só em maio/2018 a estrutura recuou de verdade — e por outra alavanca. As commodities em reais saltaram ao topo (z de -0,11 a +1,63) pela moeda fraca, o dólar a R$ 3,6361, o risco perene de volta a 14,6 e o humor afundando a 11,2.

O que não aconteceu

O extremo de maio não foi o fim da tese reflacionária. Quem leu a queda do prêmio cíclico como "acabou" errou: em agosto ele estava esticado de novo, a 2,56. O risk_off de 7,5 tampouco anunciou colapso — três meses depois o risco perene declarava risk_on a 77,1. E o respiro do humor não virou marcha firme: pulou a 67,9 em julho e sentou. O choque não se resolveu numa direção limpa; oscilou por um ano antes do recuo real — e esse, quando veio, foi obra do câmbio, não do ciclo doméstico que a aposta original celebrava.

Veredito honesto

A leitura acertou a normalização: o prêmio cíclico estava extremo e cedeu. Mas normalizar não é terminar. A aposta voltou, esfriou, voltou de novo, e só doze meses depois a estrutura cedeu para valer — movida pelo dólar, não pelo ciclo. Um extremo que reverte pode reverter de volta.

Continue a história: O capital migra de bairro — agosto de 2017 · As financeiras saem da mesa — novembro de 2017 · Quando a moeda dita a colheita — maio de 2018 →

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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