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O bastão que voltou às commodities — setembro de 2017

Episódio

O extremo

Por um mês, pareceu que o mercado brasileiro trocaria de patrão. O dinheiro que durante o ano inteiro premiara o ciclo de matérias-primas começou a procurar outro endereço — o setor financeiro doméstico —, e essa migração foi o movimento mais decidido do mês. A folha de pagamento do índice mudava de departamento; o salário que ele distribuía seguia parecido. Em números: a razão Commodities/IBOV recuou de +1,01 para −0,21, a maior queda do mês e mais de um desvio inteiro, enquanto Finanças/IBOV fez o caminho inverso, de −0,74 para +0,25 — a virada favorável mais forte da composição. O humor doméstico ferveu junto, com o Índice Ânima de 58,2 a 66,1 (otimismo extremo), a Selic em 8,25% ao ano e o dólar a R$ 3,1348.

O que aconteceu depois

O bastão não ficou nas mãos das financeiras. Três meses depois, em dezembro/2017, a troca de comando reverteu por inteiro: Finanças/IBOV desabou para −1,78, o fundo da composição, enquanto as commodities voltaram a se descolar do índice e cravaram +2,22, dois desvios acima da média. O que setembro leu como começo de uma rotação virou, no fim do ano, o oposto. Em março/2018, as financeiras mal respiraram (z de 0,48), e as commodities — embora cedendo de 1,63 para 0,85 — ainda mandavam. E quando a liderança enfim mudou de mãos para valer, em setembro/2018, quem a tomou foram os cíclicos (Cíclico/Não-Cíclico saltando para 1,15), não os bancos, que seguiram em terreno relativo negativo.

O que não aconteceu

A rotação para as financeiras não virou tendência. Aquele quase desvio inteiro que o setor doméstico ganhou em setembro não foi o primeiro passo de uma caminhada; foi um pico isolado, devolvido antes do Natal. O otimismo extremo também não durou: o Ânima, cravado em 66,1, esfriou para 57,1 em dezembro, o primeiro recuo da confiança desde aquele mesmo setembro. E as commodities, dadas como liderança em retirada, não se retiraram — voltaram com força.

Veredito honesto

A leitura acertou a tensão e errou o desfecho. Setembro flagrou que a liderança setorial estava trocando de mãos — e estava. Mas o bastão que parecia migrar para as financeiras voltou às commodities em um trimestre, e só mudaria de dono de verdade um ano depois, para outro setor ainda. A maior virada de um mês nem sempre é o início de algo: às vezes é o ponto mais alto antes da devolução.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar · Commodities

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