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O ágio dos bancos esticado ao extremo — e a descida de um ano

Episódio

O extremo

Havia um setor caro demais para o conforto na estrutura brasileira, e o número não disfarçava. As finanças tinham subido mês após mês até descolar do resto do tabuleiro: a razão Finanças/IBOV fechou novembro/2010 no ponto mais distante da própria média em toda a estrutura — uma altura que o arquivo raramente registra. Era o preço da confiança em forma de dígito — bancos premiados justamente quando a inflação corrente voltava a incomodar. Em números: enquanto as finanças esticavam o ágio, as commodities reentravam no tabuleiro e os cíclicos devolviam terreno; o IPCA do mês em 0,83% e a Selic parada em 10,75% ao ano — e o ágio dos bancos fechou o mês a dois desvios e um quarto da média histórica.

O que aconteceu depois

A posição mais cara foi a primeira a esvaziar. Em fevereiro/2011, três meses depois, a razão Finanças/IBOV já tinha cruzado para baixo da própria média, enquanto o dinheiro corria para o aluguel dos fundos imobiliários, que esticavam o prêmio na direção oposta. Em maio, o recuo continuou. E em novembro/2011, um ano redondo após o pico, as finanças marcavam o maior recuo da estrutura naquele mês, com o capital comprando proteção cambial e defensiva. Do topo ao porão, o setor mais caro percorreu, em doze meses, toda a distância entre o extremo caro e o terreno deprimido.

O que não aconteceu

A queda do ágio não veio de um craque. O apetite agregado não desabou junto: o Índice de Risco Perene, longe de afundar, firmou-se — chegou a 98,6 em maio/2011 e a 86,0 em novembro. Quem lesse o extremo como gatilho de venda imediata teria se atrapalhado com o relógio: o prêmio dos bancos não evaporou no mês seguinte, escoou ao longo de um ano inteiro. E o esvaziamento não foi pânico generalizado — foi rotação seletiva, de um setor sensível ao crédito para abrigos que blindam contra a moeda e a desaceleração.

Veredito honesto

O extremo acertou o que era: o ponto mais distante da média marcava o auge do prêmio, não um piso de onde subir. Mas marcou o começo de um processo lento, não uma virada de chave. Uma valuation relativa esticada diz que há muito a devolver — nunca quando a devolução começa.

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