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O ágio dos bancos a dois desvios — e a descida de um ano

Episódio

O extremo

Havia um setor caro demais para o conforto na estrutura brasileira, e o número não disfarçava. As finanças tinham subido mês após mês até descolar do resto do tabuleiro: a razão Finanças/IBOV fechou novembro/2010 a dois desvios e um quarto acima de sua média histórica, o ponto mais distante de toda a estrutura. Era o preço da confiança em forma de dígito — bancos premiados justamente quando a inflação corrente voltava a incomodar. Em números: Finanças/IBOV de um z de 1,58 para 2,21, com as commodities reentrando (−0,29 para 0,60) e os cíclicos devolvendo terreno (1,18 para 0,31); o IPCA do mês em 0,83% e a Selic parada em 10,75% ao ano.

O que aconteceu depois

A posição mais cara foi a primeira a esvaziar. Em fevereiro/2011, três meses depois, a razão Finanças/IBOV já tinha cruzado para terreno negativo (−0,34), enquanto o dinheiro corria para o aluguel dos fundos imobiliários (IFIX/IBOV de 0,73 para 1,73). Em maio, o recuo continuou, a −0,67. E em novembro/2011, um ano redondo após o pico, as finanças marcavam −1,20 de desvio — o maior recuo da estrutura naquele mês, com o capital comprando proteção cambial e defensiva. Do topo ao porão, o setor mais caro percorreu mais de três desvios em doze meses.

O que não aconteceu

A queda do ágio não veio de um craque. O apetite agregado não desabou junto: o Índice de Risco Perene, longe de afundar, firmou-se — chegou a 98,6 em maio/2011 e a 86,0 em novembro. Quem lesse o +2,21 como gatilho de venda imediata teria se atrapalhado com o relógio: o prêmio dos bancos não evaporou no mês seguinte, escoou ao longo de um ano inteiro. E o esvaziamento não foi pânico generalizado — foi rotação seletiva, de um setor sensível ao crédito para abrigos que blindam contra a moeda e a desaceleração.

Veredito honesto

O extremo acertou o que era: o ponto mais distante da média marcava o auge do prêmio, não um piso de onde subir. Mas marcou o começo de um processo lento, não uma virada de chave. Uma valuation relativa esticada diz que há muito a devolver — nunca quando a devolução começa.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Humor · Dólar · Anomalia estatística

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