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A saída da enfermaria que não vingou — os bancos de junho de 2011

Episódio

O extremo

Por meses os bancos brasileiros foram o convalescente da bolsa: o setor que rendia menos que o índice e que ninguém fazia questão de carregar. Em junho, pareceu que o paciente enfim se levantava da cama. As financeiras deram o passo mais firme de toda a estrutura interna, enquanto as commodities em real — que vinham reinando no topo — começavam a devolver o prêmio. Não era liderança; era um setor castigado achando o caminho de volta ao centro. Em números: Finanças/IBOV de −0,67 para −0,04 (Δ +0,63), o maior movimento do mês; Commodities (R$)/IBOV recuando de 1,21 para 0,70. O real firme a R$ 1,587, a Selic ainda subindo, a 12,25% ao ano, e o regime doméstico em risco assumido (65,7).

O que aconteceu depois

A melhora não virou tendência — virou recaída. Em setembro, o mercado aprofundou a preferência defensiva, com os cíclicos afundando contra os não-cíclicos. Em dezembro, o dinheiro já pagava mais de dois desvios para morar em elétricas e fundos imobiliários (Utilities/IBOV a 2,24), e os bancos voltavam ao fim da fila: Finanças/IBOV recuou a −1,39. Em junho de 2012, um ano depois do esboço de reabilitação, o setor seguia deprimido, em z −1,72. O paciente havia se sentado na cama. Nunca chegou a andar.

O que não aconteceu

A saída da enfermaria jamais virou liderança. Quem leu o avanço de junho como cura do setor financeiro errou: em vez de assumir o topo, os bancos recuaram para mais fundo do que estavam antes. E há uma confissão no arquivo. Ao fechar a conta de junho/2011, meses depois, o próprio motor encontrou apenas dois episódios análogos — abaixo do mínimo de cinco para julgamento — e deixou o veredito em aberto, sem cravar acerto nem erro.

Veredito honesto

Um mês forte no fundo da hierarquia é o paciente sentando na cama, não recebendo alta. A melhora na margem foi confundida com virada de regime — e nem a casa quis julgar, porque faltava história comparável. No fim, o capital fez de novo o que sempre faz quando desconfia: preferiu a certeza de pouco à esperança de muito.

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Personagens: Estrutura (intermercado) · Fluxo (apetite por risco) · Dólar

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

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