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A liderança que o câmbio emprestou às commodities — outubro de 2010

Episódio

O extremo

Algo na liderança das commodities daquele mês não fechava. A matéria-prima medida em reais subiu ao ponto mais esticado de toda a estrutura, desbancando os cíclicos que setembro havia deixado no topo. Pela leitura crua, era apetite renovado por exportador. Mas a pista estava num número que ninguém associa a commodity: o câmbio fechou no real mais forte de toda a série registrada até ali. E um real forte não move a matéria-prima — move a régua que a mede. Em números: a razão Commodities (R$)/IBOV saltou de 1,23 a 2,45 (Δ +1,22), o ponto mais alto do ranking; o câmbio a R$ 1,6835, contra R$ 1,77 em julho; o eixo cíclico devolveu quase dois desvios, de 2,92 a 1,18.

O que aconteceu depois

Por dois meses, o disfarce funcionou. Em janeiro/2011 as commodities aprofundaram a liderança — a razão em reais subiu ainda mais, de 2,33 a 2,76, e a versão em dólar acompanhou. Quem leu aquilo como força da matéria-prima teve a impressão confirmada. Mas abril já trazia a primeira rachadura: as commodities mantinham liderança apenas discreta (Δ +0,26), enquanto os fundos imobiliários roubavam o palco. E então veio o veredito do câmbio. Em outubro/2011, com o real de volta a R$ 1,77 — o mesmo nível de julho/2010 —, a razão Commodities/IBOV desabou de um z neutro, 0,09, para -1,77. A matéria-prima passou a pesar menos que o índice amplo. O ágio de um ano antes não apenas sumiu: virou desconto.

O que não aconteceu

O pico de outubro/2010 não inaugurou uma era das commodities. Parecia o começo — janeiro reforçou a tese, com o z em reais subindo a 2,76. Mas não era liderança estrutural da matéria-prima; era um topo cambial vestido de apetite. Quem confundiu o real forte com demanda por exportador comprou um prêmio que o câmbio emprestava e cobraria de volta. Doze meses depois, a razão estava negativa.

Veredito honesto

O motor mediu o extremo com precisão — z 2,45 é território que a série raramente sustenta. O que ele não separava era a origem da força: a razão em reais soma duas coisas, o preço da commodity e a força do real, e naquele outubro a segunda fazia mais trabalho que a primeira. Medir o esticão é fácil. Saber quanto dele é moeda exige olhar o câmbio antes de aplaudir a commodity.

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Personagens: Commodities · Dólar

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