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A commodity que subiu e caiu no mesmo mês — abr 2010
Episódio
O extremo
Havia algo desconfortável na matéria-prima de abril: ela enfraqueceu e se fortaleceu ao mesmo tempo, e as duas leituras eram honestas. Contra o índice, a commodity devolveu o prêmio que carregava havia meses. Medida em reais, subiu quase na mesma proporção. A diferença entre as duas falas tinha um nome — câmbio —, e quem olhasse só a versão em reais juraria que o apetite por matéria-prima havia crescido. Não havia. O câmbio era o ventríloquo; a commodity só mexia os lábios. Em números: Commodities/IBOV recuou de 0,82 para 0,28 (Δ −0,53), enquanto a versão em reais subiu de −0,95 para −0,44 (Δ +0,51), com o dólar comportado a R$ 1,7566 e o financeiro reentrando (Finanças/IBOV, Δ +0,61). Tudo isso sob um regime ainda cravado em risk_on_amplo (78,7).
O que aconteceu depois
A tese de abril foi se confirmando. Em julho, a commodity seguiu o ponto fraco da estrutura — Commodities/IBOV mal se mexeu (de −1,69 para −1,35), e o apetite voltou pela ponta cíclica, esticada a um z de 3,39, não pela matéria-prima. Em outubro veio o desfecho que dava razão à leitura: com o real no ponto mais forte da série (R$ 1,6835), a razão Commodities (R$)/IBOV saltou de 1,23 para 2,45 e virou o item mais esticado do ranking. A commodity "liderava" — mas era a moeda falando por ela. Em abril/2011, mais do mesmo: liderança discreta, sustentada por um leve avanço em reais (Δ +0,26).
O que não aconteceu
A commodity não reconquistou o palco por mérito próprio. O apetite voltou, sim, mas pelos cíclicos e pelos bancos — a matéria-prima ficou de fora da festa por meses. O que pareceu um retorno triunfal em outubro era câmbio, não fome de minério. E o teto não cedeu: a rotação inteira aconteceu sem o índice perder o tom de apetite.
Veredito honesto
A leitura de abril — "o ganho da commodity em reais é câmbio, não demanda" — durou mais de um ano. Mas era leitura de contexto, não fato cravado: a aritmética dos z-scores se encaixava, não provava. E ela não disse em qual mês a moeda voltaria a falar mais alto. Saber separar a commodity do real evitou confundir uma moeda forte com um mercado faminto. Não evitou ter de esperar para descobrir quando a fome voltaria.
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Personagens: Commodities · Dólar
Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.
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