Radar PereneRadar Perene
← início

Radar Perene / Arquivos / episódio

O otimismo no teto da escala — e o lastro que faltava (dez/2017)

◦ Escrito sob a metodologia v1 dos índices (vigente até 15/07/2026). A série atual é a v2 — leituras citadas podem diferir das exibidas hoje. Ver metodologia.

Episódio

O extremo

Cem é o teto da escala, e o capital brasileiro fechou 2017 cravado exatamente ali — disposto a tudo. O detalhe inconveniente estava em onde esse otimismo se apoiava: em pouquíssimas pernas. O dinheiro apostava pesado em material básico e desprezava renda, um entusiasmo largo na altura e estreito na base. Em números: o índice de risco perene saltou de 10,6 para 100,0, enquanto o intermercado caía de 48,58 para 28,37, já em risk_off forte. A razão Commodities/IBOV esticou bem acima da média histórica; a dos fundos imobiliários contra a bolsa despencou para bem abaixo dela, na maior virada do mês. A Selic encerrou em 7,0% ao ano e o dólar em R$ 3,2919.

O que aconteceu depois

A concentração não aguentou o trimestre. Antes mesmo de março, em fevereiro, o apetite levou um susto — o risco perene desabou a 5,4 — e quando março/2018 fechou, a aposta única já se desmanchara numa rotação: as commodities perderam boa parte da vantagem, os defensivos sumiram do mapa relativo, afundando abaixo da média, e os fundos imobiliários, antes abandonados, reencontraram comprador e encurtaram o atraso. Em junho, seis meses depois, o capital voltou a se empilhar — risco perene de 14,6 a 93,6 —, mas agora sem fé: o humor doméstico seguia travado no pessimismo, em 13,2, e o dólar já marcava R$ 3,7732. Um ano depois, em dezembro/2018, o roteiro voltou com outra roupa: o risco perene de novo no teto, o intermercado desabando a 3,41 e a aposta nos cíclicos mais esticada do que nunca.

O que não aconteceu

O teto de dezembro de 2017 não anunciou colapso. Quem leu 100,0 como véspera de queda errou o gênero: o que veio foi um susto e uma rotação, não um craque. A concentração tampouco cobrou na hora — levou meses para mostrar fragilidade, e, quando mostrou, foi trocando de aposta, não quebrando. E o dólar não disparou de imediato: saiu de R$ 3,29 e só alcançou R$ 3,77 meio ano depois. O otimismo sem lastro não desabou; foi sendo realocado.

Veredito honesto

O extremo de risco perene disse a verdade sobre o capital — ele estava mesmo todo comprado — mas mentiu sobre a durabilidade. Cem no teto media compromisso, não solidez. Concentração é o que o intermercado lê como fragilidade na composição, e a fragilidade tem o péssimo hábito de cobrar tarde.

Continue a história: O dinheiro chega antes da fé · Dois relógios pós-eleição · A estrutura que lidera o humor →

O Radar lê esses regimes todos os dias. Veja a leitura de hoje →

Leia também: A greve dos caminhoneiros de 2018: o dinheiro voltou antes da fé — e antes da manchete · Os dois relógios pós-eleição: apetite no máximo, estrutura no fundo (dez/2018) · A estrutura lidera o humor: o que 2016 ensinou sobre quem chega primeiro

Personagens: Humor

Isto é a memória do Radar. A leitura de hoje — regime, 5 lentes e os análogos do dia — está no ar, de graça.

Assinar o Perene Semanal — R$ 29/mês →

Ler a leitura de hoje →