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O abril de 2025 sob tarifas — o apetite gritou, o dinheiro saiu em ordem

◦ Escrito sob a metodologia v1 dos índices (vigente até 15/07/2026). A série atual é a v2 — leituras citadas podem diferir das exibidas hoje. Ver metodologia.

Episódio

Por fora, a festa seguia no auge. O apetite por risco da bolsa brasileira não só estava alto — escalava, fundo no território de quem quer comprar. Mas quem olhasse para onde o dinheiro de fato ia veria outra cena: nas matérias-primas, sangrava. O pano de fundo era de tensões sobre comércio e tarifas, e o complexo de commodities é o primeiro a sentir quando o apetite global por mercadoria física esfria.

O extremo

O sinal mais nítido do mês foi a razão que prende a bolsa ao mundo físico. As ações de matérias-primas — minério, papel, petróleo, proteína — desabaram contra o índice, e o dinheiro correu para receita contratada: energia, saneamento, concessão. Não houve estouro de manada. Houve um abandono ordenado, em formação, de tudo o que depende de mercadoria para ganhar dinheiro. Em números: a razão Commodities/IBOV sofreu o maior movimento da grade, afundando a uma região que o arquivo quase não visita, enquanto Utilities/IBOV subia ao extremo oposto e o intermercado recuava de 43,37 para 32,62, em risk-off moderado. O humor seguia travado no otimismo extremo, 77,5, e o apetite por risco cravava 91,0.

O que aconteceu depois

A discordância — apetite gritando compra, estrutura saindo de fininho — não durou. Três meses depois, em julho/2025, ela se resolveu, mas não pelo lado que o otimismo esperava: foi a euforia que despencou para encontrar a estrutura. O humor caiu de 92,3 para 39,0, o apetite de 76,4 para 17,5. A febre baixou; a doença, não. Em outubro/2025, seis meses depois, os dois eixos desinflaram ao neutro e as commodities pararam de cair contra o índice, de volta para perto da própria média. E o veredito de seis meses para o próprio abril foi de Acerto: o mercado rendeu +8,8%, dentro da faixa central dos casos comparáveis.

O que não aconteceu

O rompimento das commodities não anunciou um crash. Não houve colapso, nem estampido — só o gotejar de quem troca risco por receita previsível. O apetite a 91,0 tampouco foi premiado: a divergência se resolveu pela queda do entusiasmo, não pela vitória do risco. E, apesar de toda a leitura defensiva que a estrutura registrava, o mercado subiu +8,8% em meio ano. Nem o lado eufórico nem o estrutural venceu limpo.

Veredito honesto

A fuga ordenada das commodities leu o regime: prenunciou a reconciliação por baixo que chegou em julho. Mas um extremo de razão não é um gatilho de colapso, e um retorno de +8,8% lembra que ler para onde o dinheiro foge não é o mesmo que prever o preço.

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Personagens: Fluxo (apetite por risco)

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